CARREGANDO

Escreva para buscar

A dupla jornada sobra pra elas, mas não deveria

Letícia Costa
Com.

Historicamente os espaços público e privado foram divididos sexualmente. Era dever do homem trabalhar para prover o sustento da família, e dever da mulher procriar, cuidar dos filhos e do lar. Se, por exemplo, na idade média as mulheres serviam estritamente para tarefas domésticas suas ou da nobreza, com a consolidação do sistema capitalista industrial no século XIX, mulheres e crianças também foram recrutadas para as extenuantes jornadas dentro das fábricas.

As jornadas de trabalho duravam mais da metade do dia em condições muito precárias, onde os abusos eram constantes. Este foi o primeiro cenário encontrado por mulheres fora de casa em muitos países da Europa e nos Estados Unidos. Vale lembrar que o dia 8 de março – dia internacional da mulher – pode ser visto como dia das mulheres trabalhadoras, uma vez que a data foi escolhida para memorar as 126 operárias que morreram em um incêndio numa fábrica têxtil em Nova York em 1911. Elas faziam parte de uma grande mobilização por igualdade política e por condições melhores de trabalho.

No Brasil, houve crescimento da participação feminina no mercado de trabalho na década de 70 e esta participação estava atrelada a grandes diferenças salariais e à concentração em áreas de serviço ligadas ao comércio e a trabalhos domésticos. Atualmente, as mulheres trabalham nas mais diversas áreas e exercendo variados serviços, porém, a chamada dupla jornada de trabalho persiste em nos acompanhar.

As diferenças biológicas, a maternidade e todas as questões que envolvem esta demanda, por vezes se tornam justificativa para deixar todos os trabalhos domésticos para as mulheres. Sobrecarga que foi traduzida em número através de pesquisa divulgada no mês de abril deste ano pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com a pesquisa as mulheres brasileiras trabalham por semana 21,3 horas a mais que os homens. Ou seja, mesmo trabalhando fora de casa assim como os homens os afazeres domésticos ainda são de responsabilidade delas. Podemos notar que apesar dos avanços, a igualdade entre os sexos nas relações de trabalho então longe de serem alcançadas. É necessário que visitemos o passado para entendermos o sistema que ainda hoje vivemos. O homem sempre esteve por muito tempo no centro das relações, e as consequências refletem hoje na dupla, e até mesmo tripla jornada de trabalho.

É necessário mudar a mentalidade dos homens para que eles se sintam também responsáveis pelo lar. Lavar a louça ou o banheiro não pode mais ser uma rara ajuda da parte deles, mas sim algo natural de quem divide o espaço e a vida com outra pessoa. Já às mulheres para que não estejam sempre cansadas por trabalhar muitas horas em casa a mais que os parceiros, é necessário rever nossa tolerância.

Tags:

Deixe um comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado. Os campos obrigatórios estão marcados com *